Anycubic Photon P1: vale a pena a nova impressora 3D de resina “inteligente”?
A Anycubic Photon P1 chegou com a promessa de simplificar a impressão 3D em resina sem abrir mão de qualidade extrema de detalhes.

Este artigo reúne os principais pontos do teste: montagem, interface, recursos inteligentes, qualidade de impressão, pontos negativos e para quem a Photon P1 realmente faz sentido.
Do Mono SE à Photon P1: contexto e expectativas
Antes da Photon P1, já tinhamos usado vários modelos de impressora 3d de resina da Anycubic:
- Anycubic Mono SE – primeira impressora de resina dele.
- Anycubic Mono X – ele chegou a ter duas unidades.
- Anycubic M3 Max – usada para impressões maiores, com um único problema crônico: a bomba de resina nunca funcionou direito.
Apesar do percalço com a M3 Max, o histórico era positivo: todas entregavam resultados muito bons.
Montagem e primeira experiência: de curva de aprendizado a “plug and play”
Um dos pontos mais marcantes da avaliação é o contraste entre o passado e o presente:
- Com a primeira Anycubic, a curva de aprendizado foi grande, a interface era mais complicada e a experiência parecia mais “bruta”.
- Com a Photon P1, a sensação é de produto muito mais maduro:
- Tira da caixa, encaixa algumas peças e em cerca de 5 a 10 minutos a impressora está pronta para uso.
- A tela touchscreen vai guiando passo a passo: levantar eixo Z, instalar o plate, remover filme protetor e seguir para o primeiro teste.
Build plate: robusto, mas com um detalhe incômodo
O prato de construção (build plate) é descrito como muito sólido e agradável ao toque, com sistema de travamento simples por alavanca. Porém, existe um ponto de design negativo:
- O plate é totalmente plano, sem ranhuras ou bordas que conduzam a resina de volta para o VAT.
- Isso faz com que, em cada subida do eixo Z, se forme uma “cachoeira de resina” escorrendo pelas laterais.
- Isso não prejudica a impressão em si, mas é chato operacionalmente: o usuário precisa ficar esperando a resina escorrer antes de seguir para a próxima etapa.
Outras marcas já adotaram placas texturizadas/perfuradas, e que a Anycubic está preparando um plate perfurado opcional para mitigar esse problema.
VAT aquecido e mistura automática da resina
Um diferencial importante da Anycubic Photon P1 em relação a muitas concorrentes é o conjunto de VAT aquecido + sistema de mistura ativa:
- O VAT tem resistência de aquecimento, podendo chegar a cerca de 40 °C, com controle via interface.
- Antes de iniciar a impressão, a máquina:
- Checa se há resina no VAT, se a plataforma está montada e se não há resíduos.
- Faz um teste de nivelamento usando sensores de pressão por baixo da tela.
- Aquece a resina até a temperatura configurada (ex.: 25 °C).
- Sobe e desce o plate repetidamente, misturando a resina aquecida para uniformizar a temperatura no VAT.
Em termos práticos, isso substitui aquele ritual “meio gambiarra” que muitos usuários de resina conhecem bem: secador de cabelo na lateral do VAT e espátula plástica para misturar manualmente.
Tela “Next-Gen LighTurbo 4.0”: consistência para lotes grandes
A Anycubic batizou a fonte de luz da Photon P1 como “Next-Gen LighTurbo 4.0 Light Engine”. Além do marketing, a proposta técnica é clara:
- Entregar uniformidade e consistência na exposição, camada após camada.
- Garantir que, em lotes grandes de peças (como miniaturas para venda, peças técnicas repetidas etc.), a resolução seja previsível e repetível.
Na prática, isso é especialmente interessante para quem:
- Usa a impressora como ferramenta de trabalho, produzindo em escala.
- Precisa manter padrão de qualidade entre tiragens diferentes.
Interface, Wi-Fi, app e câmera: monitoramento em tempo real
A Photon P1 foi pensada para um fluxo bem mais moderno:
- Conexão Wi-Fi simples, feita diretamente pela tela (sem dores de cabeça).
- Integração com app da Anycubic, permitindo:
- Enviar arquivos,
- Monitorar o status da impressão,
- Acompanhar temperatura e outros parâmetros.
Além disso, a impressora traz:
- Câmera integrada, para visualização da impressão em tempo real.
- Porta USB posicionada na lateral da tela (junto do botão de energia), facilitando acesso.
- Saída de exaustão na parte traseira, permitindo conexão de mangueira para retirada de vapores da resina.
Esse conjunto coloca a Photon P1 em uma categoria mais “smart” e amigável tanto para hobby quanto para uso profissional.
Sistema de checagem automática e nivelamento por sensores
Antes de cada impressão, a Photon P1 executa um check-up automático:
- Verifica se a plataforma está corretamente instalada.
- Usa sensores sob a tela para identificar resíduos ou irregularidades.
- Confirma se ainda há resina suficiente no VAT.
- Realiza um teste de nivelamento, mergulhando o plate no VAT e medindo a pressão.
Esse processo dura algo em torno de 1 a 2 minutos, mas aumenta bastante a segurança do job – principalmente para quem imprime à distância ou deixa a máquina rodando sozinha por longos períodos.
Photon Workshop 4.1: slicer limpo, automatizado e pronto para a P1
Usamos a versão 4.1.0 do Photon Workshop, slicer oficial da Anycubic. Alguns pontos se destacam:
1. Configuração quase automática
- Basta fazer login na conta Anycubic,
- Selecionar a Anycubic Photon P1 na lista de impressoras,
- Escolher a resina adequada (por exemplo, “Standard Resin”).
A partir daí, o software já carrega:
- Perfis de resina,
- Alturas de camada (como 0,03 mm e 0,05 mm),
- Parâmetros otimizados para o equipamento.
O criador destaca que não precisou ajustar nada para conseguir ótimos resultados.
2. Ferramentas práticas para figuras e miniaturas
O Photon Workshop traz um conjunto de ferramentas muito útil para quem trabalha com miniaturas, action figures e peças detalhadas:
- Placing: movimentar, girar e escalar o modelo de forma simples.
- Repair: ao importar uma malha com erros, o software oferece reparo automático em questão de segundos.
- Hollow: possibilita ocoar modelos, definindo espessura de parede (por exemplo, 1,5 mm) para economizar resina e reduzir peso.
- Punch: criação de furos de drenagem (ex.: 10 mm ou 3 mm) para permitir saída de resina de áreas ocadas.
- Auto Supports: geração automática de suportes com configurações pré-definidas, que podem ser ajustadas (ex.: largura de contato 0,5 mm ou 0,3 mm).
3. Envio remoto e monitoramento
Depois de fatiar:
- O software mostra tempo estimado, consumo em mL e gramas de resina.
- Ao clicar em “Remote Print”, o arquivo é comprimido e enviado diretamente via Wi-Fi para a impressora.
- No painel remoto (workbench), o usuário acompanha:
- Temperatura do VAT,
- Status do tanque,
- Status da plataforma,
- Progresso da impressão,
- Preview em tempo real via câmera.
Do ponto de vista de produtividade, é um fluxo que lembra impressoras FDM mais avançadas, mas aplicado ao universo da resina.
Wave Release Film e ball screw: menos força de “peel”, mais detalhes
Um recurso técnico interessante da Anycubic Photon P1 é o uso do Wave Release Film, um tipo de filme de VAT desenhado para reduzir a força de descolamento (“peel”) em até 60%.
O criador fez um teste prático:
- Em uma miniatura, manteve contato de suporte em 0,50 mm.
- Em outra, reduziu para 0,30 mm, justamente para ver se, com menor área de contato, o modelo continuaria aderido.
Resultado:
- Mesmo com contatos mais finos, as peças permaneceram firmes, sem se soltarem dos suportes.
- Isso reforça a ideia de que o sistema realmente reduz a força de peel, o que:
- Facilita a impressão de detalhes muito finos,
- Diminui o risco de falhas em partes frágeis,
- Permite usar suportes mais delicados, facilitando o pós-processo.
Além disso, a Photon P1 utiliza um fuso de esfera (ball screw) de grau industrial no eixo Z, oferecendo:
- Movimento de subida/descida mais suave,
- Menos vibração,
- Melhor qualidade nas superfícies e curvas.
Qualidade de impressão: testes, detalhes e comparação
Três tipos principais de teste:
1. Arquivo de teste padrão da Anycubic
Usando o arquivo de teste que vem no pendrive:
- Peças minúsculas, algumas com 20 mm, 15 mm e até 10 mm de largura.
- Detalhes extremamente finos, alguns só perceptíveis com lupa.
Resultado:
A definição foi descrita como impressionante, com linhas extremamente nítidas.
2. “Dan Test” – peça de calibração
O famoso Dan Test foi usado para checar:
- Curvas e transições de altura de camada,
- Exposição correta em diferentes regiões,
- Nitidez de linhas e relevos.
Sem mexer em nenhuma configuração avançada além de escolher a resina padrão, o criador classificou o resultado como um dos melhores que já viu, com:
- Linhas super crisp,
- Poucos ou nenhum artefato visível a olho nu,
- Layer lines praticamente imperceptíveis.
3. Impressão de figuras completas e comparação com outra impressora
Por fim, foi impresso:
- Uma figura da Loot Studios, com base, tentáculos e personagens, toda configurada no Photon Workshop (hollow, furos, suportes auto e manuais).
- Um modelo que ele já havia impresso na Hagees RS Turbo, que até então era a sua impressora de resina favorita.
Na comparação direta:
- A Anycubic Photon P1 ficou ligeiramente à frente em detalhes finos em áreas como braços e costas.
- No geral, a qualidade das duas é bem próxima, mas com vantagem da Photon P1 em tempo de impressão e custo.
Compatibilidade com resinas de engenharia e alta viscosidade
A Anycubic Photon P1 é compatível com resinas industriais e de engenharia, incluindo formulações de:
- Alta resistência,
- Alta temperatura,
- Maior resistência ao desgaste,
- Viscosidade elevada – até cerca de 8.000 cPs.
Isso amplia bastante o campo de uso:
- Protótipos funcionais,
- Peças técnicas,
- Componentes que exigem resistência térmica ou mecânica.
Para quem imprime apenas miniaturas, isso pode parecer um “extra”. Mas para quem está montando um negócio com impressoras 3D, é um diferencial relevante.
Pontos negativos: build plate plano e “chuva de resina”
Nenhuma impressora é perfeita:
- O único ponto realmente incômodo da Anycubic Photon P1, na visão dele, é o plate plano.
- A consequência é a tal cachoeira de resina em cada levantamento da peça, exigindo atenção extra e um pouco mais de tempo entre ciclos.
A boa notícia:
- A própria Anycubic já prepara um build plate perfurado para a P1, que deve reduzir bastante esse efeito.
Nota final: 9/10 – para quem a Anycubic Photon P1 faz mais sentido?
No balanço geral, a Anycubic Photon P1 recebeu uma nota 9 de 10. A máquina só não levou “10/10” por conta do design da plataforma de construção.
Ela se encaixa especialmente bem para:
- Criadores de miniaturas e action figures que precisam de detalhe extremo.
- Empreendedores que produzem em série e exigem consistência entre lotes.
- Quem valoriza um fluxo de trabalho moderno, com:
- Aquecimento automático da resina,
- Mistura ativa no VAT,
- Monitoramento por câmera,
- Envio de arquivos por Wi-Fi e app.
Para quem está migrando de impressoras mais antigas, a experiência descrita é de uma evolução grande em usabilidade, reduzindo a curva de aprendizado sem perder a precisão típica da linha Photon.
Perguntas Frequentes
A Anycubic Photon P1 é tão rápida quanto a M7 Pro com resina “speed”?
Nos testes mostrados até agora, o foco foi na qualidade de impressão, facilidade de uso e custo por peça. Comparações diretas de tempo de impressão com a M7 Pro usando resinas de alta velocidade ainda não foram apresentadas. O criador do review comentou que testes mais detalhados de velocidade virão em um vídeo de acompanhamento, incluindo cenários mais extremos.
E a precisão em X/Y? Alguém mediu com paquímetro?
Visualmente, as peças mostradas (incluindo o teste “Dan Test” e as miniaturas) apresentaram detalhes muito nítidos, linhas limpas e layer lines quase imperceptíveis.
Porém, até o momento deste review não foi mostrada uma medição formal com paquímetro para checar tolerâncias X/Y em números. Essa é justamente uma das coisas que o público pediu e que deve aparecer em testes futuros mais técnicos.
O sistema de dupla cuba (dual/twin vat) vem incluso na Photon P1?
Não. O sistema de twin vat é opcional:
– Ele é vendido como add-on, em pacotes mais caros que a impressora “pura”,
– No review analisado, o criador não recebeu a twin vat junto com a P1, justamente porque estava em um lote separado,
– No site da Anycubic, tanto a twin vat quanto o build plate perfurado aparecem claramente como opcionais, não como parte do “combo base” da Photon P1.
Isso é importante para alinhar expectativa: o que se vê no review é o que você recebe no preço promocional de lançamento. Qualquer coisa além disso entra como pacote extra.
A Photon P1 é realmente “plug and play” ou vai ter muita tentativa e erro?
Essa foi uma dúvida recorrente nos comentários, especialmente de quem vem de Formlabs, Heygears etc.
Nos testes iniciais, a experiência foi bem próxima de plug and play:
configurar a impressora,
selecionar Anycubic Photon P1 no Photon Workshop,
escolher a resina padrão na lista,
enviar o arquivo por Wi-Fi.
Sem mexer em parâmetros avançados, o criador conseguiu resultados excelentes em testes e miniaturas.
A própria comunidade está curiosa para saber como será a confiabilidade no longo prazo. O criador prometeu um segundo vídeo mais aprofundado, depois de mais tempo de uso, para falar justamente de:
estabilidade,
repetibilidade,
necessidade (ou não) de “macetes”.
Como a Photon P1 se compara à Heygears RS Turbo?
Pelos testes mostrados:
Qualidade de detalhe: muito próxima; em algumas áreas específicas (como braços e costas) a Photon P1 levou uma leve vantagem.
Custo da máquina: a Photon P1 aparece como mais vantajosa, especialmente em promoções de lançamento.
Custo da resina: a resina Anycubic usada nos testes custa cerca de um terço da resina da Heygears (segundo o criador).
Tempo de impressão: na combinação preço + qualidade + velocidade, o criador considera a Photon P1 um negócio melhor no cenário atual.
Para quem estava decidido na RS Turbo, vários comentários mostram gente reconsiderando a escolha depois de ver o desempenho da P1.

